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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Dedinhos!! Anta!!


Faz tempo que não posto nada do Mário Prata aqui né? Mas relendo o blog eu pude o ver o quanto ele é bom. Então aqui vai mais um trechinho:


ANINHA DE FRANCESCO, criança (Jundiaí, 1986)
Tinha dois anos e meio, cabelos cacheados loiros, olhos azuis. Olavo Bilac diria que era uma boneca. Foi quando a Cíntia, a mãe, minha cunhada, casada com o Moreno, irmão da Luciana De Francesco, resolveu cortar um pouco daquele cabelo. Pegou uma enorme tesoura que apavorou a indefesa criança.
A Aninha, aterrorizada, sai correndo pela casa e a mãe atrás, com a tesoura. Depois, com muito jeito, foi explicando.
- Não dói, filhinha. São só dois dedinhos, prometo.
A menina, chorando, abre as mãozinhas trêmulas, olha para os dedinhos:
- Quais?


ANTONIO PRATA, estudante (São Paulo, 1984)
Fiz uma besteira qualquer e ele, com sete anos:
- Pai você é uma anta!
Fiquei olhando praquele pirralho.
- Ah, é? E filho de anta, o que é?
Pensou dois segundos e respondeu:
- Antonio!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Trecno no notio do livro que estou lendo

kkkkkkkkkkk, estou no horário de almoço, lendo o meu livrinho e de repente me deparo com a seguinte pérola:

"Daisy olhou pra ele com a mesma expressão com a qual Jusus Cristo talvez teria olhado para alguém que tivesse acabado de explicar que não sabia se era alérgico a pão e peixe, então será que Ele não poderia fazer uma saladinha básica de frango? Era uma expressão de pena, e também de uma compaixão quase infinita."

kkkkkkkkkkkkkkkkkk, sem comentários.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sonhando

Quando sonho me sinto um escritor. Aquilo tudo que está lá, veio de mim: o local, as pessoas, os carros, as flores, os cachorros. Geralmente eu sou eu (como já diria Fernando Sabino, por quem sou completamente apaixonado, no sentido não-homossexual da coisa), mas às vezes eu sou mais do que eu (Olha o Fernandão aí de novo). É meio estranho ser mais de uma pessoa, mas com o passar do tempo você vai aceitando isso com naturalidade (no mundo dos sonhos, que incrivelmente e nesse sentido, também pode presenciar pesadelos).

Digo que me sinto como sendo um escritor porque não faço a mínima idéia do que vai acontecer no sonho. Evito sonhar com coisas muito boas também: meu cérebro é estraga prazeres – me acorda na melhor parte). Já tentei escrever um romance (só pra mim naturalmente, o mundo na merece aturar minhas pretensões) e posso adiantar uma coisa: é horrível não poder controlar os personagens. Geralmente aquela personagem safada, que você tenta fazer desaparecer a todo custo, é quem mais se destaca. E o “pobrezinho sofredor”???? To fora, síndrome de Cirilo não é comigo. É triste também, ver a falta de dignidade do “herói” da história: Larga essa mulher rapaz, só está te cozinhando!! Infelizmente no final ela se apaixona por ele e ele perdoa (imperdoável). Na verdade gosto de clichês, porque tentar fugir deles:

1 – Ou é um clichê.

2 – Ou é uma forçada de barra tão grande, que seria preferível o clichê.

Bem, pra usar um clichê: Fui!!!

domingo, 12 de agosto de 2007

E agora Drumond?


Carlos Drumond de Andrade!! Quanta saudade meu amigo!!
Obrigado pela ajuda naquele dia triste. E pelas piadas naquela poesia das borboletas, lembra?
Naquele dia que precisei de valiosos conselhos pra abordar aquela menina (!!!), suas dicas foram fundamentais. É claro que depois não resisti, e contei a fonte. Que surpresa quando ela disse que sabia, e que apenas gostou do fato de ser seu amigo também. É engraçado, mas da paixão dela por você eu não tive ciúme, mujito pelo contrário, mais um ponto que quase nos uniu.
Mas não se preocupe comigo, hoje eu estou muito bem, melhor do que nunca!! A vida é muito simples meu caro Drumond, é como cortar palavras ao escrever: quanto mais simplicidade, mais felicidade.
E agora Drumond? E agora?
Saudade do seu amigo querido!!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Whisky

Whisky, como já dizia Vinicius, é o melhor amigo do homem. É uma espécie de cachorro engarrafado.

E é tb, uma amigo muito caro (nos dois sentidos).

Tomara que daqui a algum tempo os cientistas achem uma vantagem pra quem toma whisky todo dia, que nem fizeram com o vinho e a cerveja.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

A gordinha Carente - por Mário Prata


ROSA GAÚCHA, cronista social (Sorocaba, 1998)
Gordinhos, gordinhas, estressados e estressadas, quando se dirigem ao spa São Pedro em Sorocaba sempre dão uma paradinha no Tigrão. Tigrão é um posto, do lado direito de quem vai. Restaurante farto, bebidas visíveis, colesterol à vista e a prazo. É ali que eles e elas entram e se enchem, prevendo as futuras 300 calorias, as cetoses e as boboses que se avizinham. É ali que elas e eles se reabastecem, enchem o tanque e pedem perdão a São Pedro.
Foi ali que o fato se deu. E eu, como sempre, estava lá.
Ela, além de viciada em comida, era viciada em spa. Lá ia ela, dia desses. Tigrão. Ela estava de licença no spa. Depois de um mês, tivera dois dias em São Paulo. Estava voltando. Já havia emagrecido dez quilos. Já era bastante, pra quem precisava ainda perder uns 30.
Ela encheu a cara e a barriga e ainda pegou uns bis para matar nos quilômetros finais. Foi quando se dirigia para o caixa que ela ouviu. Ouviu nitidamente. O assovio. Aquele que os homens fazem quando passa uma mulher gostosa. Fiu-fiiiiu. Estática, seu olho girou 180 graus. Não havia dúvida. A coisa era com ela.
Aquilo foi uma injeção de cinco mil calorias no ego dela, no superego e até no alter ego. Há quanto tempo ela não sentia aquela sensação de tesão subindo pelo seu corpo num frenesi? Vinte e cinco anos? Mais? Ficou ali, estática, parada no contrapé da felicidade. Tentou dar um passo e, de novo, o assovio. Ela precisava ver quem era, senão não tinha graça. Virou-se graciosamente, com o maior charme possível que a sua cinturinha permitia. Olhou em volta. Nada. Onde estava o galanteador?
Deu mais um passo. Fiu-fiiiiiu, de novo. Foi andando na direção de um macaco-boneco de uns 30 centímetros. Quanto mais ela se aproximava, mais o macaco assoviava. Era o macaco seu amante já imaginário e com milhares de planos e sacanagens na cabeça.
Era isso. Um boneco. A primeira idéia foi pegar o macaco, arrancar a pilha dele, jogar no chão, pisar seus gordinhos pés em cima dele. Mas resolveu esquecer. Afinal, ninguém havia notado seus 15 segundos de fama. Cabeça e estima baixas, já estava no carro quando resolveu voltar. Comprou o macaco.
Na estrada, depois de dar o nome de Castanho ao macaco e ficar passando a mão na frente da boca dele para ouvir, ia feliz. A pilha era duracel, ia durar muito.
No spa, instalou o Castanho em cima da televisão, numa posição estrategicamente estimulante. Ia ao banheiro, o macaco Castanho assoviava. Voltava, fiu-fiiiiiu. Levantava, tava lá. Seu cooper dentro do quarto passou a ser todo dedicado ao Castanho. Já sabia a que distância tinha que sé aproximar para provocar a libido do macaquinho.
De noite, quebrou a solidão com um maravilhoso strip-tease para ele. Só para ele. O Castanho não dizia nada, nem mexia os olhinhos, ouvindo "Summertime". Só assoviava. Cada peça de roupa tirada era jogada na direção do bichinho. O bichinho não falhava. Ela foi se entusiasmando e, nua, fez coisas que não fazia há muito, mas muito tempo mesmo.
A notícia do macaco Castanho logo tomou conta do spa. Gordinhas (e até uma bicha gordinha) queriam comprar o levantador de baixa estima. Pensou-se em aluguel, em rodízio, em consignação. Mas ela não abria mão. Chegaram a oferecer dois bagos de uva e dois palitinhos de cenoura pelo uso e abuso do animal. Mas ela queria o danado só para ela.
Foi quando a doutora Aída, psicóloga do local, conseguiu convencer nossa heroína — sabe-se lá como — de que o Castanho era fundamental para o spa. Que ela deveria dividir seu prazer com as colegas de polegadas a mais. Ela concordou, mas com uma condição. Tudo bem, mas só uma vez por semana e tinha que ser coletivo.
O dia escolhido foi domingo à noite. Ela colocou seu amado amante em cima do balcão do bar do restaurante e foi então que começou a orgia. Todas as gordinhas entravam — muito bem vestidas, algumas decotadíssimas — e iam pra frente do balcão.
Fellini morreu sem imaginar a cena. Calígula morreria de inveja. Uma a uma e depois duas a duas, três a três, desfilavam seu corpo diante do Castanho, que parecia entender o coração de cada uma delas. E não negava fogo.
Depois de umas duas horas daquela desenfreada sacanagem, o assovio foi ficando fraco, fraco. A pilha está acabando! Minha ceia por uma pilha! Meu almoço por uma pilha!, gritou uma. Dou cinco sobremesas por uma pilha! Mas era domingo de noite, não tinha pilha. Trinta gordinhas (e a bichinha), amontoadas e ajoelhadas pediam para Castanho não parar, pelo amor de Deus.
Mas o macaco Castanho estava cansado. Não estava programado para tantas e boas meninas.
Mesmo assim o spa dormiu feliz sabendo que, no dia seguinte, ia ter mais pilha.

Mais uma do Prata

JAIR MARI, psiquiatra (São Paulo, 1993)

Sentei-me na poltrona. Nego-me ao divã. Jamais me deitarei num divã, de costas para o homem. E começamos aquele lero-lero de louco para louco.
O consultório dele fica num 12º. andar, com uma vista bonita lá para os lados do Ibirapuera. Já havíamos tocado naqueles pontos básicos do pânico, como a mãe da gente (qual é a mãe que não deixa a gente em pânico?), dos filhos da gente (filho adolescente dá pânico, sim) e da namorada (é sempre um panicozinho), quando eu observei, pela janela, do outro lado da rua (provavelmente na Doutor Bacelar), uma moça que acabava de acordar e estava, sumariamente vestida, na varanda do seu (suponho) também 12º. andar.
Dava para ver bem o jeitão (jeitinho) dela. Pouco mais de 20 anos, se tanto. Loira, cabelos compridos onde ela teimava em passar um pente branco e grosso diante do vento quente daquela manhã.
O doutor fazendo explanações sobre os meus problemas e eu, alheio, olhando pela janela, resmungava uns sins e uns nãos, quando não passava de hum-hum. Foi quando ele pediu que eu falasse da minha relação com não sei mais quem, que eu vejo que surge outra moça na sacada. Devem ser irmãs, pensei.
A segunda irmã era ainda melhor. Shortinho, joelho carnudo, firme e, para minha maior excitação, mordia uma suculenta banana. Devem ser estudantes de medicina da Paulista. Devem morar no interior. Comecei a viajar na história delas. Meu pânico tinha ido para o diabo. Estava, literalmente nas nuvens, já me imaginando deitado no divã delas, contando tudo-tudo-tudo.
Mas o meu psiquiatra me trazia de novo à Realidade panicada dos meus dias terrenos. E financeiramente, como está? Sempre me dá vontade de dizer que estou na pior, para uma certa compaixão dele na hora de deixar o pagamento. Acho que era Freud o assunto agora. Ou seria esquizofrenia?
Foi quando entrou na sacada, lá do lado de lá, que estava cada vez mais do lado de cá, a terceira. Outra irmã? De calcinha e sutiã? Estava. E o mais grave e estimulante: escovando os dentinhos. Não há nada que excite mais um homem do que uma mulher escovando os dentes, numa sacada, a 50 metros da Realidade, com o vento batendo nos seus cabelos loiros e aneladinhos. Como escovava bem os dentes, a menina! Ia fundo, girava nas laterais, de baixo para cima, em ovais nas gengivas. Exatamente como os dentistas mandam a gente escovar.
Foi quando ele sacou que eu não estava nem aí. Disse para ele o que eu estava vendo. Ele se levantou (o que me deu liberdade para me levantar também) e fomos ambos para a janela. Ele gostou. Gostou tanto que abriu um pouco mais a persiana para a gente ver melhor. Ele se amarrou mais na que mordiscava a banana e eu fiquei com as outras duas, embora não tirasse o olho da que escovava os dentes.
Lembrei-me de um sabonete de muito antigamente (no psiquiatra a gente lembra tudo!) chamado As Três Moças do Sabonete Araxá, acho. Na embalagem, o desenho de três lindas meninas. Aquelas mesmas que estavam ali, na nossa frente, preparando-se para enfrentar o dia-a-dia, o pânico-a-pânico. Não sei se foi o Drummond ou o Bandeira quem fez uma poesia para as meninas do Araxá. Mas alguém fez.
Deixamos o meu pânico para lá e tecemos comentários sobre a anatomia de cada uma. A visão feminina de um psiquiatra deve ser considerada sempre, nessas horas. Elas riam, estavam felizes. Nós dois também. O tempo da "consulta", infelizmente, acabou.
— Você está ótimo!, disse-me ele.
— Você também!, disse eu, vendo a persiana se fechar.
Paguei (com prazer) e perguntei:
— Posso voltar amanhã?
— Claro. Vem nessa hora. Elas sempre acordam a essa hora.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Mário Prata - o escritor do cotidiano


Tem um livro que eu acho sensacional: Mario Prata - Minhas mulheres e meus homens.


Ele viu os 600 telefones na sua agenda e começou a prestar atenção naqueles nomes todos e viu que, com cada um deles, tinha vivido uma ou mais histórias - de amor, amizade, paixão, aventura, medo.Foi assim que nasceu o livro. De histórias reais


De vez em quando vou colocar uns trechinhos aqui só pra vocês sentirem como o livro é bom e despretensioso.


CLEVELÂNDE PRATA, fazendeiro (Uberaba, 1959)

Quando eu conheci o tio Clevelânde, ele já não tinha mais a barba. Além de se chamar Clevelânde (era pra ser Cleveland) tinha como irmãos o Atos, o Portos e o Aramis.
Ele nunca fez a barba. Era imensa, ia pra baixo da cintura, crescendo desde a adolescência. Aos 70 anos era branca como algodão. Vi fotos.
Até que um dia, pra surpresa de toda a família e toda a cidade, ele amanheceu - tarde - sem barba. E, puto da vida, explicou:
- Foi aquele filho duma égua do Aramisinho (sobrinho-neto dele, coitado) que me perguntou se, quando eu dormia, eu colocava a barba pra dentro ou pra fora do lençol. Merda, eu nunca tinha pensado nisso na minha vida. Nunca tinha reparado. Tava há três noites sem dormir. Punha pra dentro, punha pra fora, punha pra dentro, punha pra fora. Cortei de madrugada. Por isso que acordei tarde. Passa o pão.