
Um dos fatos que mais me fizeram questionar o porque das coisas, foi o suicídio desse menino: Vinícius Gageiro Marques.
Li a reportagem na Rolling Stone Brasil (ao contrário do que um amigo meu diz, a revista é ótima, pode comprar sem medo), sobre o cara que tinha “tudo” na vida – família boa, colégio ótimo, popularidade, dinheiro, cultura, beleza... – e por conta de um quadro depressivo se matou. Não sei se o que me impressionou mais foi a aparente falta de motivo lógico ou a “calma e sensatez” que ele demonstrou ao executar o plano. Olha esse trecho da época:
Segundo essa reportagem, Vinícius criou uma fantasia para enganar os pais: a de um adolescente “normal”. Disse a eles que queria fazer um churrasco para os amigos, que estava interessado numa “guria”, que preferia não ter os pais por perto. Dias antes, pediu ingresso para um show que aconteceria depois de sua morte, iniciou um tratamento de pele, foi ao supermercado comprar a carne. Simulou um futuro onde não pretendia estar.
O mais irônico foi que, coincidência ou não, o método que ele usou pra se matar se chama “berbecue”, que em inglês quer dizer “churrasco”. Tinha tanto senso de humor, que até em sua morte fez uma piadinha. Piadinhas essas que eram muito populares entre seus colegas da escola, que até fizeram uma comunidade no orkut para ele.
Um dos principais dramas existenciais também acontecia com ele: A menina linda e popular intangível. Ela se chamava Luana, e, para ele – pelo que entendi –, era uma daquelas meninas que são nossas amigas por medo de declaração da nossa parte. O famoso, “ter esperança é melhor do que se decepcionar”, onde a vida de um adolescente se torna um infindável inferno feito de tentativas frustradas de declaração.
Mas sinceramente, o que eu acho (deixando claro que essa é apenas minha opinião, podendo ela não ter qualquer vínculo com a verdade), é que foi a depressão que o matou. Depois de ler o excelente livro “o demônio do meio dia”, e também de ter passado por uma experiência terrível com a síndrome do pânico, sei bem o que as pessoas sofrem em situação parecida. A felicidade no meu caso, foi a força que encontrei em Deus, ao que me parece, ele não tinha uma religiosidade desenvolvida.
O que me impressionou também foi a qualidade da música desse menino de 16 anos, e o potencial perdido para esse monstro que se chama depressão. Tem um espaço dentro da gente, que só Deus ocupa. Suponho o desespero que ele sentiu, quando descobriu que a felicidade não estava no sucesso de suas músicas na internet (tocadas até em festas na Inglaterra), na paixão adolescente, na popularidade ou em coisas do tipo.
Todos nós temos uma curiosidade a respeito da morte, que nos levam a olhar as marcas deixadas pelos que já se foram. Eu vi o diálogo que ele teve antes de morrer, consultando a respeito do suicídio e, o que me fez mais mal, a foto que ele postou das duas churrasqueiras acesas que colocou no banheiro de sua casa, para perguntar se “estava certo daquele jeito”.
Agora são dois Vinícius que nunca conheci pra ter saudade: o poetinha e o yoñlu. Aquele ao som de suas poesias. Esse ao som de Estrela, Luana e outras que me deixam saudoso da turma 303 do Colégio Rosário de Porto Alegre, mesmo não tendo estudado lá.
Baixe estrela aqui, e veja do que estou falando.